SERRELEIS E A SUA HISTÓRIA
Da fundação da freguesia à atualidade
Não admirará, portanto, que já pelo primeiro milénio a. C., durante o qual se desenvolveria a chamada cultura castreja do Noroeste Peninsular, se tenha fixado aqui uma pequena comunidade, curiosamente no próprio cabeço onde posteriormente haveria de assentar a Igreja Paroquial.
Segundo o arqueólogo B. de Almeida, que prospetou o local, o atual templo ocupa a parte mais setentrional daquele antigo habitat; apenas defendido por um talude em terra (ao fundo do qual corria um poço, hoje transformado em caminho). Muito destruído, não apresentará atualmente vestígios de estruturas habitacionais, tendo sido possível recolher apenas algum parco espólio entre tégula e “alguns minúsculos fragmentos cerâmicos castrejos e de época romana”.
A documentação medieval comprova a existência da freguesia já pelo século XIII. As “Inquirições” de 1258, nomeadamente, referem-na sob a designação de “Sancti Petri de Sola Rex” (embora esta grafia, por ausência do “l” dobrado, suscite algumas dúvidas de autenticidade). Integrava então o vasto julgado ou “Terra” de S. Martinho.
A Igreja Paroquial é um belo e espaçoso templo de graciosa traça barroca, talvez setecentista. Apresenta uma avolumada torre sineira adossada ao flanco setentrional e em posição levemente recuada. A frontaria do edifício sacro é marcada pelo imponente portal, de formato retangular, rematando em opulento frontão; logo acima rasgam-se dois janelões laterais ovalados e um espaçoso óculo central. Um documento de “obrigação”, existente no Arquivo Distrital de Braga e arrolado por J. Cepa, alude a uma Ermida de S. Brás, no ano de 1568.
Serreleis é terra que se liga estreitamente à história do traje vianês, ali se registando ainda a produção artesanal da famosa indumentária. São bem conhecidos os lenços bordados dos namorados, cheios de ingénuas inscrições, onde por vezes com contundentes erros ortográficos se iam atestando as humildes vivências de outrora…
Do alto do Monte de S. Silvestre, onde pontifica a capelinha da mesma invocação, apreciar-se-á dilatada panorâmica sobre todo este formoso trecho do vale do Lima, no mesmo lugar onde outrora acorriam em clamores, no mês de julho, as populações das freguesias circunvizinhas.
Ainda a respeito da história da freguesia, no Inventário Coletivo dos Registros Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais /Torre do Tombo, pode ler-se:
Em 1258, na lista das igrejas situadas no território de Entre Lima e Minho, elaborada por ocasião das Inquirições de D. Afonso III, Serreleis é citada como uma das igrejas pertencentes ao bispado de Tui. Em 1320, no catálogo das mesmas igrejas, mandado elaborar pelo rei D. Dinis, para pagamento de taxa, São Pedro de Serreleis rendia 60 libras.
Em 1444, D. João I conseguiu do papa que este território fosse desmembrado do bispado de Tui, passando a pertencer ao de Ceuta, onde se manteve até 1512. Neste ano, o arcebispo de Braga, D. Diogo de Sousa, deu a D. Henrique, Bispo de Ceuta, a comarca eclesiástica de Olivença, recebendo em troca a de Valença do Minho. Em 1513, o papa Leão X aprovou a permuta. Quando entre 1514 e 1532, o arcebispo D. Diogo de Sousa mandou proceder à avaliação dos benefícios eclesiásticos incorporados na diocese de Braga, Serreleis rendia 46 réis.
Em 1546, no registo da avaliação, a que se procedeu no tempo do arcebispo D. Manuel de Sousa, dos benefícios eclesiásticos da comarca de Valença do Minho, São Pedro de Serreleis figura como sendo anexa do mosteiro de São Cláudio. Na cópia de 1580 do Censual de D. Frei Baltazar Limpo, diz-se que Serreleis, então denominada “São Pedro de Serreleis”, era da apresentação do mosteiro de São Salvador da Torre.
Segundo o Padre António Carvalho da Costa, que atribuiu por orago a esta igreja São Martinho, Serreleis era vigairaria anexa ao colégio de São Bento de Coimbra. Era então da apresentação do convento de Tibães, tornando-se mais tarde independente com o título de reitoria.»
A PAISAGEM HUMANA E NATURAL
Para uma visão atenta, subamos a eminência do monte de São Silvestre e aí nos acolhe um ambiente de vegetação verdejante, com árvores pluricentenárias, ampla esplanada, capela, casas da confraria e um deslumbrante panorama sobre Viana e toda a Ribeira Lima até aos confins do Soajo e da Serra Amarela, a par de penedio tosco e gasto pelo decorrer dos séculos. Um lugar privilegiado aberto a quantos o demandam em busca da religiosidade, convívio o, lazer, eventos culturais ou simples fruição da Natureza.
Serreleis é reconhecida pelas suas imponentes quintas de cultivo, lazer e cujos proprietários têm orgulho na sua preservação.
Serreleis tem conseguido aos longos dos tempos manter as suas tradições e é naturalmente um povo acolhedor e que gosta de receber os forasteiros e os que vêm viver para a freguesia.
Na atualidade. Dados sobre a freguesia
Orago: S. Pedro;
População: 1.002 habitantes (I.N.E. 2011) e 861 eleitores;
Atividades económicas:
No setor Primário: Agricultura familiar, Vitivinicultura e Exploração agropecuária;
Na indústria: Empresas transformadoras de ferro e alumínio, empresas de construção civil e empresas de carpintaria;
No Comércio e serviços; Viveiro e comercialização de árvores, plantas e flores, restauração, reparação automóvel e hotelaria (em projeto um hotel temático, de 4 estrelas, dedicado à filigrana de Viana do Castelo), entre outras;
Ensino: Jardim de infância (JI) - ministra educação pré-escolar;
Património cultural e edificado: Igreja paroquial e capelas de S. Brás e S. Roque;
Festas e romarias: S. Pedro (29 de junho), S. Brás (primeiro fim de semana de fevereiro após dia 2) e S. Roque (16 de agosto);
Rede viária; atravessada pela A27, e EN 202; estrada de paralelo de ligação da EN202 ao monte de S. Silvestre; boa rede de caminhos de ligação aos diferentes lugares da freguesia, rio e campos de cultivo;
Locais de interesse turístico: Barco do Porto (praia fluvial), Calvário, S. Silvestre, Carvalheira;
Gastronomia: Sarrabulho e arroz de frango “à lavrador”;
Artesanato: Bordados, trajes de Viana e trabalhos em ferro forjado;
Coletividades: Grupo Etnográfico de Danças e Cantares de Serreleis, Agrupamento 450 Serreleis CNE (Corpo Nacional de Escutas), Alinho – Associação Sociocultural de Serreleis (atividades relacionadas com o linho) e Associação das Velhas Bielas de Viana (dedicada às velhas motos - em formação um museu da mota antiga).
© 2026 Junta de Freguesia de Serreleis. Todos os direitos reservados | Termos e Condições | * Chamada para a rede fixa nacional.